Pular para o conteúdo principal

Sem futuro

Um dos pensamentos que mais aterroriza um adolescente é escolher um futuro profissional, ainda mais quando procuramos alcançar, através do emprego, um certo "equilíbrio financeiro". Comigo não foi diferente, mas devido as minhas inúmeras limitações, eu não podia almejar lá grandes coisas.

Eu precisava de um emprego em que não precisasse decorar nada, pois tenho uma péssima memória. Na escola isso me prejudicava bastante, principalmente nos dias de prova, quando parecia que um dos Homens de Preto vinha especificamente apagar tudo o que eu havia decorado.



Minha falta de memória também sempre me prejudicou na vida pessoal. Após anos sem ver o rosto de alguém, e sem pronunciar o seu nome, eu simplesmente me esqueço da pessoa. Até hoje muitos me cumprimentam na rua, mas nem sempre consigo lembrar de onde provavelmente conheço aquele(a) indivíduo(a).




Eu também não poderia ter uma profissão onde precisasse ter contato com pessoas enfermas. Manejar uma agulha nas mãos deve ser tão complicado quanto brandir uma espada numa guerra, creio que é preciso muita técnica e paciência para usá-la, duas características que eu nunca tive, nem mesmo quando eu sou a paciente...





Em profissões onde precisasse lidar com números, eu também não me daria bem, principalmente se tais números me fossem apresentados dentro de uma operação matemática. O motivo? Acho que é bem óbvio...



Diante de todos esses obstáculos, poucas eram as profissões onde eu poderia me encaixar e grandes eram as minhas preocupações com o meu futuro. Durante todos os anos na escola, sempre que um dos professores perguntava quais eram os meus anseios profissionais no futuro, a minha reação era sempre a mesma.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Prece

O arco da aliança 29 maio 2019 Livrai-me, oh Pai, deste sentimento minguado, da sede da alma, dos maus pensamentos. Livrai-me da insegurança em mim mesma e dos lamentos que por isso reverbero. Livrai-me das noites sem dormir, do dormir acordada e do dormir sem sonhar com o que há de melhor nesta vida. Livrai-me, Pai, da ideia exaustiva, da luta desnecessária contra meus moinhos de vento. Livrai-me do incrédulo e do inútil. Livrai-me da comodidade dos incomodados. Livrai-me da fome pelo constrangimento. Livrai-me daquele jeito com jeito. Mas livrai-me, oh Pai, em primeiro momento: do viver sem ar, do existir sem sentido, dos sentimentos que apenas desaparecem quando estou na tua Presença. Alane Moura, 11 abril 2023.

A jornada "clichê" do herói

Já percebeu que vários heróis da ficção, e diversos personagens do mundo antigo, frequentemente apresentam algumas características em comum? Já imaginou qual poderia ser a razão disso? Pois bem, aqui você irá conhecer o legado de Joseph Campbell para as ficções e finalmente por um fim em todas essas dúvidas. O herói de mil faces  tornou-se um livro de referência aos escritores. Campbell, no entanto, era estudioso e teórico da mitologia. Nessa obra, especificamente, ele buscou apresentar conceitos que os heróis mitológicos compartilhavam em comum, mas acabou trazendo à luz uma fórmula que seria utilizada por diversos contadores de histórias, no decorrer das mais diversas épocas: a jornada do herói. A jornada do herói. Disponível em:  https://expertdigital.net/a-jornada-do-heroi-pode-levar-seu-marketing-de-conteudo-a-novas-alturas/#gsc.tab=0 . Acesso 19 jun. 2020. A jornada do herói começa no mundo como conhecemos, ou como nos é apresentado na narrativa. O herói arquétipo, figur...

Ajudante da professora

Não é que minha infância tenha sido diferente da do resto do mundo, mas o fato é que eu nunca me senti alguém normal. Ainda no pré-escolar, haviam outras 32 crianças que estudavam comigo. A cada dia do mês, dependendo da ordem alfabética da lista de chamada, um(a) aluno(a) era escolhido(a) para ser ajudante da professora . As tarefas de um ajudante eram simples: apagar o quadro negro; buscar água para a professora; garantir que os colegas de classe voltassem para a sala após o recreio; e outras tarefas simples como essas. Meus colegas de classe viam no fato de ser ajudante uma oportunidade de serem mais "respeitados". Era como se tornar o braço direito da xerife em uma região de desigualdades. Ser elegido como ajudante era equivalente a ser condecorado, pelo próprio presidente da república, com uma medalha por salvar a pátria. Entretanto, eu não pensava da mesma forma. Para mim, era um verdadeiro castigo ser ajudante da professora! Quando cr...