Pular para o conteúdo principal

Postagens

A primeira página

Foto: Alane Moura (arquivo pessoal). Imagem do dia em que uma esperança pousou sobre o computador onde escrevi as minhas primeiras páginas. Sonho escrever bem as minhas primeiras letras, não desperdiçá-las ao vento e, ao mesmo tempo, tentar não torná-las tão óbvias. Ai, minhas pobres linhas tortas, à quem tanto zelo? Estas folhas são só pensamentos de uma pessoa igualmente torta, que há muito tempo tenta se endireitar. Se com poucas palavras ainda consigo falar, lembre-se que o mais importante no mais simples lugar costuma estar. No verso mais pobre, ou na primeira página, há lugar para florescerem todas as flores e renascerem todas as almas. Alane Moura,  01 de março de 2023.
Postagens recentes

O voo da andorinha

Foto: Alane Moura (arquivo pessoal). Não é uma andorinha e não é minha, mas um dia apareceu na minha janela para me inspirar. A andorinha voou para além dos montes, foi buscar sozinha a paz que pouco tinha. A andorinha voou, mas nem devia. A paz que a andorinha queria, nunca esteve longe como parecia. Mas a andorinha fez bem em voar. Nos montes a andorinha tirou suas dúvidas. A andorinha encontrou na jornada o seu lugar. Que bem fez a andorinha em voar. Alane Moura, 17 de abril de 2023.

Recuse imitações

Agora colocaram na cabeça da gente uma ideia maluca sobre como calçar os pés. Mas quando vivia descalço, pegando frieira, não apareceu um sequer para dar remédio. A sandália era remendada com o prego que faltava na parede. Por isso o espelho caia e a praga vinha e reinava: mas o que é sete anos de azar para quem vive na falta? Depois de jovem, disseram: recuse imitações! Mas hoje é outro tempo, onde a boca sopra ao vento ideias de outras gerações. Faço o que me mandam e penso melhor pela cabeça dos outros. A marca não é apenas um nome, mas uma direção de desgosto. Onde anda a sorte? Na direita ou na esquerda do caboclo? O azar, eu sei, continua habitando o meio do povo. Por mim, penso: dentre os animais, os mais sábios são os descalços. Poderia ser o papagaio, mas ele só imita o que ouve falar. Nesse mundo, quem procura acha e quem acha se cala. Existem descalços sem opção e calçados com opinião formada. Mas, me diga então, onde isso vai parar? Talvez nos tribunais ou nos pés de gente ...

Saiba + "Meu caro Cético"

Capa do e-book: "Meu caro Cético" Design: Alane Moura "Meu caro Cético: cartas de uma vida religiosa" foi, antes de qualquer coisa, uma saga que começou nesse blog. Consiste em um conjunto de vinte e uma cartas (mais um prólogo, um epílogo e um conteúdo exclusivo), postadas ao longo do ano de 2024 e início de 2025, para divagar sobre a vida religiosa de dona Ciça Ribeiro. As cartas de cunho cristão foram enviadas a Cético, um personagem ateu, mas reza a lenda que elas foram muito apreciadas mesmo assim. Conforme disponibilizei essas cartas em formatos de livro físico e e-book, achei por bem retirá-las do blogue permanentemente. A minha ideia original era deixá-las com acesso livre, mas para a nova publicação tive que revisar novamente a ortografia e o conteúdo do livro, de modo que as versões impressas e digitais estão mais completas, bem melhores de se ler e de se apreciar. Clique nos links abaixo para acessar as lojas do livro físico (UICLAP) e do e-book (Amazon)....

Para narrar bem em primeira pessoa

Para narrar bem qualquer tipo de história, o autor precisa entender que não é a sua voz que deve prevalecer no enredo. Na verdade, ele deverá optar entre os diversos tipos de narradores para contar seu "causo" da forma mais inventiva e original possível. E uma dessas opções é o narrador em primeira pessoa, ou seja, um tipo de contador de histórias que vivencia toda a trama e que pode trazer um toque especial para a narrativa. Muitos não sabem que essa escolha pode ser determinante para o sucesso de toda uma obra. Em minha opinião, um dos pontos mais fortes de escrever uma narrativa em primeira pessoa é justamente a possibilidade de dar voz a um personagem da trama, ou seja, a alguém que não apenas narra, mas que também tem suas próprias vontades e que pode interferir diretamente no enredo. O narrador em primeira pessoa, entretanto, não deve de forma alguma ser como um retrato do próprio autor, alguém que é exatamente igual ou que tenha as mesmas opiniões que o criador da tram...

Diagramação e-book: kindle create

Certa vez, ao conversar com alguém sobre as minhas publicações, me ocorreu a noção de que os processos gratuitos de produção que utilizo (como autora independente) podem ser um mistério para muita gente. Pensando em ajudar pessoas como eu, que não dispõem de muito recurso financeiro para produzir seus livros, decidi hoje falar sobre a plataforma de diagramação gratuita que uso para a criação dos meus ebooks: o Kindle Create. Logo Kindle Create . Clique aqui para acessar a fonte da imagem . Acesso em 14 março 2025. Esse programa, vale ressaltar em primeiro lugar, aparentemente foi desenvolvido pela própria plataforma em que publico gratuitamente os meus ebooks, ou seja, o Kindle Direct Publishing (KDP). Essa plataforma, por sua vez, é propriedade da empresa Amazon e por isso os meus ebooks ficam disponíveis apenas (exclusivamente) na loja da Amazon (amazon.com.br). Em função disso, eu não saberia dizer se o arquivo final (disponibilizado pelo programa em formato de epub para exportação)...

O narrador

Posso até saber para quem estou falando, mas não faço ideia da quantidade, ou da qualidade, de pessoas que ainda hei de alcançar. Se hoje quero contar, amanhã pode ser que eu até me arrependa. Mas então já era. Um verbo não volta trás. Tenho a impressão de que fui criado apenas para isso e viver, nas entrelinhas do tempo, é somente contemplar as paisagens através das vitrines. Sou narrador de primeira pessoa. Compartilho a trama de meu próprio destino. Como quem conta a história, escolho dizer apenas aquilo que mais me apetece, retratos que guardo na mente. Se não faz sentido, deixo de lado. Largo. Diminuo. Ignoro. Mas se julgo importante, descrevo. Acrescento. Exagero. Repito. Sigo as minhas próprias opiniões não apenas em pensamentos, mas principalmente em versos. Não estou isento da vida. Sou eu quem dá as cartas do jogo, mas não sou eu quem controla todas as jogadas. Nem mesmo quem me desenhou entende a forma como observo e interpreto o mundo à minha volta. As particularidades que ...