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Extrem(idades)

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Quem é você? O topo ou a base dessa pirâmide? A mania do novo século é induzir a liberdade de pensamento, mas somos realmente livres para pensar o que quisermos? E se eu não quiser, por exemplo, pensar sobre isso, sobre aquilo, sobre alguma coisa? E se eu não quiser estar na posição que me colocarem? E se eu não possuir uma opinião formada sobre tudo? E se eu não souber de tudo o tempo todo? Sou "livre" ou "livrável" nesse ponto de vista? É plástico, coisa das extremas idades, o pueril do ser ou não ser da questão alheia. Afinal, somos ou não somos obrigados a dizer alguma coisa? Somos ou não somos obrigados a concordar, discordar ou se importar com tudo? Carrego ou não carrego o peso do mundo? Sou eu diferente, ou sou eu igual, ou sou eu deles? Não sei. Não há como saber. Quem só se reconhece no outro não vê o quão maravilhoso e catastrófico pode ser a menos que o tempo possa dizer. Idade? Não! Atitude? Sim! Liberdade? Sim! ou Não! Livre é quem sabe quem é e o luga...

Freud e os gatos

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Da esquerda para direita: Edu , o sapeca, e Ravi , o majestoso. "O tempo gasto com gatos nunca é tempo perdido" era o que dizia Sigmund Freud, não sei se antes ou depois de anunciar claramente que não gostava de gatos. Contraditório? Depende do ponto de vista: 1º como humanos, estamos sempre propensos a mudar de opinião; 2º o fato de não apreciar gatos não define a relevância real deles. Gatos podem ser incríveis, ainda que eu não os tolere, pois assim é a vida. Faz parte da humana existência. Sorte a minha que não vivo a contradição de Freud. Aprendi a gostar de gatos convivendo com eles e, com essa experiência posso lhes dizer, precisamente, que não existe forma mais honesta de gostar de algo, alguém ou alguma coisa. Mas há, porém, o momento certo em que se faz notável a mudança desse sentimento. E esse momento, foi naquele dia. Foi um dia corrido. Havia passado metade do tempo dentro da universidade, trabalhando as palavras dos velhos poetas, até sentir o cansaço e o peso...

Cabeça de Árvore

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Às vezes, fico a imaginar: e se toda cabeça fosse uma árvore? O caule seria o pescoço, a sustentação, e os galhos seriam as veias, responsáveis por conduzir os nutrientes, por ligar as pontas? As folhas, na minha árvore, poderiam ser os neurônios, mas também o oxi(gênio), o ar, os pulmões? Mas o que me interessaria mais seriam as flores e os frutos, afinal, como eles se produziriam naquele jardim? Quais frutos poderiam dar a minha cabeça? Bons? Ruins? Azedos? Amargos? Doces? Aguados? Será que os passarinhos voariam até minha cabeça, comeriam os meus frutos e construiriam os seus ninhos entre os meus galhos? Será que alguém conseguiria viver nas minhas ideias e se alimentar delas? E como seria morar entre as flores novas e velhas? Imagino a confusão, a angústia das noites de inverno frio, quando os pesadelos dessem asas à boa e a má imaginação. Imagino o vento cortante a me deflorar no outono, durante uma tempestade, a me despedaçar como a decepção que cerca a realidade distante, monóto...

A era das frivolidades

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Ilustração de Marco Melgrati Quer acordar? Programa o despertador! Quer comer? Pede no aplicativo! Quer jogar? Liga o videogame! Quer sorrir? Põe o vídeo! Quer usar? Compra no site! Quer mostrar? Usa a hashtag ! Quer namorar? Procura na internet! Quer conversar? Chama no telefone! Quer dormir? Toma o remédio! Quer chorar? Você quer chorar? Suma da minha frente! Sobreviver a todos os vazios dessa era é uma questão de honra.  Seque suas lágrimas, c ontemple o inimaginável, espere o desabrochar das flores e cative seus amores sem pressa, pois o futuro sempre foi, e sempre será, igual para todos. Alane Moura, 12 de maio de 2021.

Personalidade e escrita autoral

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"De pernas para o ar" 23 de setembro de 2019 A ânsia de criar algo inédito costumava me frustrar bastante. Sempre que queria propor um assunto que me chegava às custas do próprio raciocínio, brotava da história um excelente autor que já havia pensado o mesmo, só que a centenas de anos antes de mim. Então logo percebi: eu não me encontraria na prateleira dos pensamentos novos, mas talvez sim entre os recantos dos estilos inovadores. A escrita autoral é, além de escrever um texto bom e complexo, ser reconhecido apenas pela forma peculiar e pessoal de narrar uma ideia que não é minha. No final das contas, é por isso que a personalidade na escrita autoral é indiferente ao tema ou ao gênero literário. O lugar onde deve prevalecer a originalidade não é sobre o que se faz (a ideia), mas sobre o  como  se faz (a execução da ideia). Mas executar com inovação uma ideia já criada também exige muito, exige tudo. No final das contas, o impulso deve surgir de um ponto de partida que até en...

Liberte sua escrita criativa!

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"Livre e mutável como uma borboleta" 24 de fevereiro de 2019 Não é difícil compreender porque muitos escritores acabam por desistir. A   pressão psicológica, principalmente a que se desenvolve no nosso próprio subconsciente, paralisa, petrifica, trava. Mais do que pensar em desistir nesse momento, cabe considerar que talvez... Apenas talvez... Aquele não fosse o melhor momento para escrever aquela parte, ou aquele capítulo, da sua história. O nosso tempo é diferente, é único, e inventar é uma ação involuntária ao nosso instinto de se adaptar às situações, por mais difíceis que sejam. Sentir-se incapaz é normal, mas mergulhar de cabeça nas águas da invalidez sempre que algo parecido acontecer é autopunição, desespero, fator que simplesmente não ajuda e nem resolve a situação. Não à toa é um movimento natural do ser humano o cair, o abandonar dos próprios pensamentos, pois é de inanição que muitas ideias morrem. Insistir é o grande desafio. Deve-se então criar um rotei...

A clássica estrutura de três atos

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Os atos são arcos ou ciclos narrativos. Eles propõem uma divisão da obra que facilita o trabalho da crítica e também a compreensão da própria obra (já que garantem que o autor utilizou algum raciocínio lógico para produzir sua história). Ato I: Ambientação e I ncidente incitador. Na ambientação , nos preocupamos muito mais com técnicas de sedução. É aqui onde você pode atrair o(a) leitor(a) para a sua história, conquistando com seu personagem a empatia do(a) espectador(a). Essa etapa, porém, não é obrigatória. É completamente possível que os personagens sejam apresentados já no decorrer da trama, principalmente após a etapa do incidente incitador. O incidente incitador se apresenta como um momento-chave na narrativa, um acontecimento inesperado que provoca o início do conflito na trama. A presença de um incidente incitador é essencial para movimentar toda a narrativa, pois ele é o responsável por provocar desordem na vida dos personagens (principalmente dos protagonistas) da história....