Diário de escrita #1: crise narrativa

Querido diário,

Havia me comprometido a lançar um livro ainda esse ano, mas está sendo difícil escrever nesses últimos dias. O esgotamento mental que precisei enfrentar nesses primeiros seis meses do ano de 2026 custaram caro demais. Não que antes disso estivesse vivendo um 'mar de rosas' no universo da escrita. Na verdade, minha crise narrativa começou desde a publicação de "As andanças de Abdias Tenório". Ainda que depois tenha publicado as cartas de "Meu Caro Cético", não posso garantir que elas foram escritas em minha melhor fase.

Veja bem, não sofro por falta de ideias. Por Deus, a minha imaginação funciona bem até demais, tanto positiva quanto negativamente. Continuo tendo insights até sonhando. O problema tem sido falta de paciência, e quem sabe de resiliência também, para vencer as adversidades que as estórias me apresentam. Possuo pelo menos três grandes projetos em mente, mas todos estão paralisados, aguardando minha atenção. Ao invés de focar neles, fico me perguntando: seria assim tão errado dar um tempo? Pensar melhor no que fazer? Mas como eu poderia ignorar a culpa?

A cobrança que faço a mim mesma é coisa difícil de lidar e até mesmo de entender. Obrigo-me a produzir como se os meus livros vendessem o suficiente para me sustentar. Mas deixe-me fugir desse tema monetário em particular. Até porque, quando penso no lado financeiro da coisa, concluo que essa pressão que imponho a mim mesma não tem fundamento claro. Isso desmotiva totalmente o meu trabalho, mas também o deixa vazio, sem propósito. Na verdade, minha luta nesse momento é por não deixar que esse pensamento retire algo precioso do meu coração: a certeza de que escrever sempre foi como uma espécie de terapia. É por meio das palavras que posso exorcizar meus demônios.

Nada continua sendo tão fácil quanto era há dez ou quinze anos. A gente cresce, amadurece e aprende a renunciar certas coisas para sobreviver no mundo. Mas não quero deixar a escrita para trás. Ela não faz apenas parte da minha história, mas também é responsável pela pessoa que eu sou hoje. Acredito que, nesse momento, preciso apenas me reencontrar, porém não sei quanto tempo isso vai demandar. Talvez seja breve, mas talvez... Talvez seja uma odisseia, uma aventura dividida em vários altos e baixos. A única certeza que tenho é que não posso deixar o ambiente me consumir ou levar embora os meus sonhos e a minha autenticidade. Meus livros são expressões da minha alma. São coisas pelas quais que vale a pena lutar.

Alane Moura, 25 de julho de 2026.

Imagem que me lembra de contemplar o belo em coisas tão simples quanto um pôr do sol. Fonte: arquivo pessoal.

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