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Saiba + "Meu caro Cético"

Capa do e-book: "Meu caro Cético" Design: Alane Moura "Meu caro Cético: cartas de uma vida religiosa" foi, antes de qualquer coisa, uma saga que começou nesse blog. Consiste em um conjunto de vinte e uma cartas (mais um prólogo, um epílogo e um conteúdo exclusivo), postadas ao longo do ano de 2024 e início de 2025, para divagar sobre a vida religiosa de dona Ciça Ribeiro. As cartas de cunho cristão foram enviadas a Cético, um personagem ateu, mas reza a lenda que elas foram muito apreciadas mesmo assim. Conforme disponibilizei essas cartas em formatos de livro físico e e-book, achei por bem retirá-las do blogue permanentemente. A minha ideia original era deixá-las com acesso livre, mas para a nova publicação tive que revisar novamente a ortografia e o conteúdo do livro, de modo que as versões impressas e digitais estão mais completas, bem melhores de se ler e de se apreciar. Clique nos links abaixo para acessar as lojas do livro físico (UICLAP) e do e-book (Amazon)....
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Para narrar bem em primeira pessoa

Para narrar bem qualquer tipo de história, o autor precisa entender que não é a sua voz que deve prevalecer no enredo. Na verdade, ele deverá optar entre os diversos tipos de narradores para contar seu "causo" da forma mais inventiva e original possível. E uma dessas opções é o narrador em primeira pessoa, ou seja, um tipo de contador de histórias que vivencia toda a trama e que pode trazer um toque especial para a narrativa. Muitos não sabem que essa escolha pode ser determinante para o sucesso de toda uma obra. Em minha opinião, um dos pontos mais fortes de escrever uma narrativa em primeira pessoa é justamente a possibilidade de dar voz a um personagem da trama, ou seja, a alguém que não apenas narra, mas que também tem suas próprias vontades e que pode interferir diretamente no enredo. O narrador em primeira pessoa, entretanto, não deve de forma alguma ser como um retrato do próprio autor, alguém que é exatamente igual ou que tenha as mesmas opiniões que o criador da tram...

Diagramação e-book: kindle create

Certa vez, ao conversar com alguém sobre as minhas publicações, me ocorreu a noção de que os processos gratuitos de produção que utilizo (como autora independente) podem ser um mistério para muita gente. Pensando em ajudar pessoas como eu, que não dispõem de muito recurso financeiro para produzir seus livros, decidi hoje falar sobre a plataforma de diagramação gratuita que uso para a criação dos meus ebooks: o Kindle Create. Logo Kindle Create . Clique aqui para acessar a fonte da imagem . Acesso em 14 março 2025. Esse programa, vale ressaltar em primeiro lugar, aparentemente foi desenvolvido pela própria plataforma em que publico gratuitamente os meus ebooks, ou seja, o Kindle Direct Publishing (KDP). Essa plataforma, por sua vez, é propriedade da empresa Amazon e por isso os meus ebooks ficam disponíveis apenas (exclusivamente) na loja da Amazon (amazon.com.br). Em função disso, eu não saberia dizer se o arquivo final (disponibilizado pelo programa em formato de epub para exportação)...

O narrador

Posso até saber para quem estou falando, mas não faço ideia da quantidade, ou da qualidade, de pessoas que ainda hei de alcançar. Se hoje quero contar, amanhã pode ser que eu até me arrependa. Mas então já era. Um verbo não volta trás. Tenho a impressão de que fui criado apenas para isso e viver, nas entrelinhas do tempo, é somente contemplar as paisagens através das vitrines. Sou narrador de primeira pessoa. Compartilho a trama de meu próprio destino. Como quem conta a história, escolho dizer apenas aquilo que mais me apetece, retratos que guardo na mente. Se não faz sentido, deixo de lado. Largo. Diminuo. Ignoro. Mas se julgo importante, descrevo. Acrescento. Exagero. Repito. Sigo as minhas próprias opiniões não apenas em pensamentos, mas principalmente em versos. Não estou isento da vida. Sou eu quem dá as cartas do jogo, mas não sou eu quem controla todas as jogadas. Nem mesmo quem me desenhou entende a forma como observo e interpreto o mundo à minha volta. As particularidades que ...

Como quem conta um causo

Certa vez, há vários anos, destaquei que para desenvolver uma escrita original muitas vezes precisamos mergulhar em nossas experiências de vida e extrair delas o fator singular que nos diferencia. Entre as minhas experiências de vida estão os causos. Não é segredo para ninguém que gosto de contar minhas histórias assim, como se fossem conversas sussurradas em uma roda de amigos com quem tenho alguma intimidade. O que muita gente não sabe, entretanto, é que isso me coloca numa posição de intensa responsabilidade. A maneira como decido contar um causo pode determinar o seu sucesso ou o seu fracasso. Eu e meu primeiro livro . Fonte: arquivo pessoal. O que faço não é uma novidade. O início da tradição oral é um mistério, bem como a sua motivação, mas sabe-se que muitas histórias atravessaram as épocas pela manifestação da oralidade. Pergunto-me sempre porque temos tanta necessidade de comunicação, tanta propensão a invenção, e alguns vão dizer que essa é uma questão evolutiva. Na lei de um...

Meu caro Cético: Epílogo

Design: @alanemouras Minha cara amiga*, Só você para me fazer escrever uma carta em meio a uma era digital. Um e-mail, confesso, seria mais prático. Entretanto é verdade que enxergo na escrita a próprio punho um charme especial. É um exercício que exige atenção redobrada e um foco intenso, pois qualquer deslize da caneta ou qualquer merda distração pode acarretar um erro que nos fará voltar para uma estaca zero. É algo parecido com a vida, na verdade, a qual uma simples decisão equivocada pode causar um efeito aterrador e repercutir pelo resto de nossa existência. Se bem entendi sua proposta, devo dizer aqui o que mais ou menos achei de toda essa experiência com as cartas de dona Ciça. Para fazer isso, entretanto, peço que primeiramente permita-me dizer o quanto passei a admirar essa mulher durante todos esses anos em que nos comunicamos. Ainda que eu não concordei com ela, ou que apenas não consiga enxergar a vida sob uma ótima parecida com a dela, devo dizer que as suas cartas me fiz...

Meu caro Cético: a jornada termina

Design: @alanemouras Meu caro Cético, Esperei, durante algum tempo, por perguntas suas antes de escrever essa carta*. Porém, como novas questões não chegaram até mim, arrisquei-me a propor esses últimos parágrafos para encerrar essa história. Eu imagino que você esteja farto desse tipo de leitura. Garanto, para tranquilizá-lo, que a minha intenção hoje é encerrar de uma vez por todas esse ciclo, ainda que encontre alguma dificuldade para pensar no que efetivamente devo dizer. Por causa disso, estive rascunhando várias páginas em branco, até que enfim me surgisse uma ideia oportuna que me inspirou: e se essa fosse a última oportunidade que tenho de falar a alguém que amo, o que eu lhe diria? Essa não é uma questão fácil, meu caro. Creio que o pior castigo do ser humano foi ter perdido a sua eternidade. Até porque, se todos tivessem a certeza do "sempre", não precisaríamos nos preocupar com um mero "até logo". Mesmo para nós cristãos, que acreditamos na eternidade com...