Escrever é traduzir o mundo. Contar estória é descrever o passado. A diferença entre um e outro é clara e absoluta: o mistério não é saber narrar o fato, mas ter destreza de escolher de que maneira tornar o causo notável.
O escritor faz malabarismo com as palavras. Se acrescenta uma vírgula, faz a coisa toda mudar de figura. Uma única reticência e a cabeça do leitor trava, dá voltas no mar como Odisseu querendo voltar para casa. As letras são medidas na régua. Se uma sílaba sobrar, ou se um fôlego faltar, vai tudo por água abaixo. Quem escreve vive agoniado. Se perguntando se seu trabalho vai prestar.
Já com o contador não tem tanto aperreio. O importante não é o jeito, mas a façanha contada. Às vezes pode se perder na enciclopédia, mergulhar fundo em dicionário e tabuada, mas nada para causar efeito, esse é apenas o melhor jeito de tornar mais verdadeiros os fatos. Pode até não chamar nome, não ter afirmação dos entendidos, mas o prazer de viver o causo, transformá-lo em letras... Não tem outro que consiga.
E então? Escrever ou contar? Qual opção é a melhor? Pense, pois isso é opinião que depende do querer, da ambição, do caboclo. O que vale mais: prêmio pessoal ou admiração popular? Os dois têm sua relevância, ainda que no fundo a missão seja a mesma: provocar com a palavra!
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| Alane Moura é a moça que gosta de contar estórias. Foto tirada durante a escrita de "As andanças de Abdias Tenório" (2024). Fonte: arquivo pessoal. |

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