Diário de escrita #2: o brilho opaco das estrelas falidas
Querido diário, Muito tenho pensando sobre a influência da escrita em minha vida. Não é nada especial, apenas pensamentos. Li em algum lugar que Machado de Assis nunca sobreviveu dos seus próprios livros. Soube que, para colocar o pão na mesa, ele tinha que se apoiar em outras responsabilidades. Longe de mim levantar tal comparação. Apesar de considerar rara a sua habilidade, nunca busquei influências em seus escritos. O caso dele me chama atenção apenas pela dúvida: como posso me manter escrevendo se a minha sobrevivência não depende disso? Em um mundo capitalista, parte dos artistas é meio suicida mesmo. Ao invés de investir no alimento do corpo, investimos no alimento da alma e pagamos o nosso preço. Não é dilema. Cristo viveu algo parecido. Era um homem dividido entre o trabalho de carpintaria e o ofício de ser Filho de Deus. Creio que pessoas premiadas com tal sensibilidade nasceram mesmo para ser esmagadas em um mundo assim. Talvez daí venha a nossa cruz, nosso pesadelo: por mais...